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Criava em media com três ou cinco casais por ano,
nada técnico, muito menos com intuito de concorrer
em clubes ou coisa parecida. Quando me surgiu a ideia de
criar para valer, ou seja, associar-me a um clube e adquirir
boas aves para a formação do meu plantel, nem
imaginava a difícil batalha que me aguardava. Planeei,
para iniciar criar com 10 casais, achei que essa era a quantia
razoável para alguém que tecnicamente se estava
a iniciar no ramo da canaricultura. Escolhi as cores que
mais gostei, e parti para aquilo que baptizei de "a
difícil travessia" Tudo me parecia fácil
de se concretizar. Engano, logo no começo levei a
primeira facada... a compra das gaiolas e voadeira, aquilo
já me deixou um tanto desgovernado quanto à parte
financeira do prazer... Bom, detalhe financeiro resolvido,
fui então atrás do que realmente interessava,
ou seja, os verdadeiros protagonistas daquela empreitada,
os canários. Comecei a visitar criadores, tentando
adquirir bons exemplares e principalmente dicas e conselhos
os quais eu tinha certeza que seriam de grande importância
para o manejo da minha criação. Mas, novamente,
percebi que estava enganado, de início todos os criadores
que visitei, atenderam-me com total indiferença. Poupando-me
de qualquer tipo de informação, do tipo “porque
acasalar este com aquele", o desinteresse era tanto,
que algumas vezes fiquei constrangido. O limite da minha
indignação deu-se quando andava atrás
de uma fêmea verde marfim intensa, e certo criador
de renome na canaricultura disse-me: "olha meu rapaz,
uma fêmea verde marfim pura eu não tenho, mas
tenho aquelas ali, que são portadoras de marfim...".
Leigo sim, mas não tanto, claro que já tinha
tido a oportunidade de ler artigos que me ensinaram que fêmeas
não portam marfim. Essa para mim foi a gota d'água
no copo que já estava cheio, fiquei indignado com
tamanha falta de respeito com os iniciantes. Mas não
desisti, continuei a visitar criadores, e mais criadores.
Foi quando descobri que na canaricultura também existem
pessoas que têm respeito pelos iniciantes, pessoas
que tem uma boa memória e lembram-se que um dia também
foram iniciantes. E essa descoberta para mim foi muito boa,
porque aliviou, e muito, o meu desânimo com a canaricultura,
desânimo por tudo aquilo que presenciei, pessoas que
pensei que estavam tornando-se meus amigos, mas no fundo,
no fundo só queriam mesmo era vender canários,
e não ensinar aquilo que um dia lhes foi ensinado.
Sou muito grato àqueles que me mostraram que a canaricultura
ainda é um hobby de muito prazer, que não existem
só criadores comerciantes. E serei sempre grato aos
amigos que me deram vários conselhos e dicas a respeito
do manejo com as aves. Estes sim, merecem o meu muito obrigado,
por serem pessoas honestas, sem medo de ensinar... É através
dos criadores de bom carácter que tenho certeza que
a canaricultura sempre seria aquilo que todo iniciante imagina
que seja: "Um grande prazer".
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